Cadeira extensora: onde o exercício pesa de verdade

A pilha de pesos não muda durante a repetição. O que o seu joelho sente, muda. Role a página: a figura acompanha o texto e mostra, peça por peça, por quê.

Em que ponto a extensora pesa mais?

torque no joelho 94 N·m

Pense numa repetição completa na cadeira extensora, do joelho dobrado até a perna estendida. A carga na pilha é a mesma do começo ao fim.

Então o esforço do joelho também é o mesmo? Dê o seu palpite antes de continuar.

Em que parte do movimento o joelho precisa fazer mais força nesta máquina?

Eixo: onde o movimento gira

torque no joelho 94 N·m

Todo movimento gira em torno de um eixo. O joelho gira perto dos côndilos do fêmur; a máquina gira no ponto onde o braço do rolo é preso. Na figura, os dois aparecem marcados.

Para a máquina entregar a carga como foi projetada, os dois eixos precisam ficar alinhados. É para isso que existe o ajuste do encosto, e não para conforto.

Sentido da resistência

torque no joelho 80 N·m

0265278104119°90°60°30°0°ângulo do joelho (0° = estendido)
torque no joelho (32,2 kg)caneleira de 5 kgN·m

Resistência tem direção. Com uma caneleira, ela é o próprio peso: aponta sempre para baixo, em qualquer posição da perna.

Na máquina é diferente. O rolo gira livre, então só consegue empurrar a canela de frente: a força fica perpendicular à canela em todos os ângulos.

Compare no gráfico: a caneleira de 5 kg quase não pesa com o joelho dobrado e pesa mais com a perna estendida. A máquina faz o contrário.

Braço de alavanca

torque no joelho 80 N·m

Braço de alavanca é a distância perpendicular entre o eixo do joelho e a linha da força (a linha tracejada na figura).

Com a caneleira, essa distância é pequena com o joelho dobrado e cresce até a perna ficar na horizontal: com a coxa apoiada no assento, vai de cerca de 10 cm a 90° até 42 cm com a perna estendida.

Na máquina, como a força é perpendicular à canela, o braço é a própria distância do joelho até o rolo: perto de 43 cm em quase todo o movimento, e 39 cm no fim, porque o ponto de apoio do rolo na canela muda um pouco.

Torque: o que o joelho sente

torque no joelho 86 N·m

0265278104119°90°60°30°0°ângulo do joelho (0° = estendido)
torque no joelho (32,2 kg)N·m

Torque é força vezes braço de alavanca, medido em newton-metro (N·m). É ele, e não o quilo da pilha, que diz quanto o quadríceps precisa produzir.

A conta na prática: 32,2 kg na pilha pesam 316 N. A 90° de joelho, o rolo empurra a canela com cerca de 218 N a 43 cm do joelho: 218 × 0,43 ≈ 94 N·m. Com a perna estendida, são 171 N a 39 cm: 66 N·m.

Veja o número e a curva se formarem enquanto a perna sobe: a carga é constante, o torque no joelho não.

O came

torque no joelho 86 N·m

0265278104119°90°60°30°0°ângulo do joelho (0° = estendido)
torque no joelho (32,2 kg)polia redonda, mesmo raio médioforça do quadríceps (forma, na escala do pico)N·m

O cabo da pilha não enrola num disco redondo: ele enrola no came, uma peça de contorno irregular. A distância do eixo da máquina até o cabo muda conforme o came gira: nesta máquina, cerca de 27 cm no começo e 21 cm no fim. Distância menor, torque menor; por isso a curva cai no fim.

Com uma polia redonda do mesmo tamanho médio, a curva ficaria quase plana: de 85 para 78 N·m.

Para que serve o came? O quadríceps não tem a mesma força em todos os ângulos. A curva tracejada mostra a forma da força medida em homens jovens num dinamômetro isocinético a 60°/s: o máximo fica perto de 65°, e com a perna estendida sobra pouca força. O came tira carga do fim do movimento, onde o músculo rende menos. Ele aproxima as duas curvas, mas não as encaixa: esta máquina pesa mais perto de 90°.

Por isso, uma máquina que pesa mais no fim não é "mais eficiente": ela só cobra mais justamente onde o quadríceps tem menos força.

Cuidado com a leitura: a curva de força é a média de um grupo, numa velocidade constante, desenhada na escala do pico da máquina só para comparar formas. Ela não diz quanto você aguenta.

Os ajustes

torque no joelho 66 N·m

0326496128123°90°60°30°0°ângulo do joelho (0° = estendido)
torque no joelho (32,2 kg)N·m

Encosto: serve para alinhar o eixo do joelho com o da máquina. Com o encosto todo para a frente (joelho fora do eixo), o rolo corre até 28 cm pela canela durante a repetição, e o pico do torque vai de 94 para 116 N·m, em outro ângulo. A curva deixa de ser a que a máquina foi projetada para dar.

Rolo: nesta máquina ele é fixo; aqui ele é simulado mais perto do joelho para responder a uma dúvida comum. Com os eixos alinhados, subir o rolo 10 cm quase não muda o torque no joelho (86 para 87 N·m a 60°). O que muda é a força na canela, de 204 para 274 N: o braço ficou menor, então a máquina empurra mais forte para dar o mesmo torque.

Um estudo com dinamômetro isocinético (Nisell e colaboradores, 1989) calculou que o apoio mais perto do joelho reduz bastante a força que tende a deslizar a tíbia para a frente, a que carrega o ligamento cruzado anterior. Isso foi medido num aparelho isocinético, não nesta máquina.

Início do movimento: o seletor perto do eixo muda o ângulo em que a repetição começa, de 119° na primeira posição até 94° na última. A curva só perde o pedaço do começo.

Velocidade

torque no joelho 86 N·m

04489133177119°90°60°30°0°ângulo do joelho (0° = estendido)
torque no joelho (32,2 kg)subida em 0,6 sN·m

Até aqui a pilha subiu devagar. Numa repetição rápida, ela precisa ser acelerada na saída e depois sobe embalada.

Com a subida em 2 s, a tensão no cabo fica entre 299 e 339 N, perto dos 316 N do peso. Com a subida em 0,6 s, chega a 572 N na saída e cai para 123 N no fim: o pico do torque no joelho vai de 99 para 161 N·m, e a extensão final quase não tem carga.

A mesma carga pode cobrar muito mais do joelho na saída e quase nada no fim, só pela velocidade. As durações (2 s e 0,6 s) e o movimento suave são escolhas desta demonstração.

Laboratório

torque no joelho 86 N·m

0265278104119°90°60°30°0°ângulo do joelho (0° = estendido)
torque no joelho (32,2 kg)N·m

Agora é com você. Mude um controle de cada vez e leia a frase abaixo dos controles: ela diz o que mudou e quanto. A figura mostra o resultado; arraste-a para girar a cena.

Velocidade da subida
Rolo (simulação: nesta máquina ele é fixo)
Início do movimento (seletor)
Peça que enrola o cabo

Mude um controle para ver o que acontece com o torque no joelho.

0275582109119°90°60°30°0°ângulo do joelho (0° = estendido)
agoraN·m

Teste rápido

torque no joelho 74 N·m

Três perguntas para fixar o que você viu.

1 de 3 A pilha tem a mesma carga do começo ao fim. O torque no joelho também é o mesmo?

2 de 3 Para que serve o ajuste do encosto?

3 de 3 Com os eixos alinhados, aproximar o rolo do joelho:

Geometria reconstruída a partir do desenho técnico de uma cadeira extensora comercial. Simplificações: movimento só no plano lateral, sem o peso da própria perna e do braço da máquina, sem atrito nas polias e no rolo. Boneco de tamanho fixo (1,75 m), com coxa e perna proporcionais à altura. Os números do texto são desta montagem, com 32,2 kg na pilha.

  • Curva de força do quadríceps: da Costa-Machado et al. (2026), Frontiers in Sports and Active Living, Tabela 2 (homens jovens, isocinético a 60°/s). https://doi.org/10.3389/fspor.2026.1913115 (consultado em 26/10/2026).
  • Comprimento da coxa e da perna como fração da altura: Drillis e Contini (1966), reproduzidos no livro de biomecânica de D. A. Winter, 4ª ed. (Wiley, 2009), capítulo de antropometria. https://doi.org/10.1002/9780470549148 (consultado em 26/10/2026).
  • Posição do apoio e cisalhamento no joelho: Nisell, Ericson, Németh e Ekholm (1989), American Journal of Sports Medicine 17(1):49-54. https://doi.org/10.1177/036354658901700108 (consultado em 26/10/2026).